Palavras Pequenas: Contos e Historias

Palavras Pequenas: Contos e Historias: Bom o conto a baixo é meu, espero que gostem.É um dos primeiros, não é dos melhores, porém acredito que não seja dos piores, espero que go...



Lição de vida.


Hoje comecei a lembrar-me da minha infância!Na verdade, eu não tive uma infância cheia de brinquedos caros, roupas, passeios, talvez o que eu tive não possa nem ser chamado de infância!

         A minha infância foi dura, e sofredora. Meus pais trabalhavam muito para ganhar pouco, tão pouco que mal dava para sustentar a família. A vida era puxada, trabalhar com o sol forte, vendo as árvores secas, a paisagem totalmente degradada e mal tratada pelo tempo, as pessoas do lugar tinham um semblante triste e cansado, gente humilde, lutadora e sofredora.

         Alguns dias atrás, eu estava caminhando pela rua, era um dia um tanto nublado, mas nada que impedisse as pessoas de sair na rua, ou caminhar pelo parque, o clima não estava dos piores, mais também não estava o melhor.Enquanto estava andando, avistei uma pracinha, com alguns banquinhos, com algumas crianças brincando, não demorou muito e logo eu cheguei lá. Sentei-me em um dos banquinhos e fiquei a observar as crianças brincando, todas sujinhas de um pouco de barro, com roupinhas simples, daquelas que  ao olhar sabemos que a mãe mandou vestir para que não estragasse as roupas novas.    E logo, me fiz pensar “ olha só a felicidade e a inocência das crianças, enquanto brincam, como se para elas o mundo fosse perfeito, sem saber nada do que estava acontecendo no mesmo mundo que elas estavam, porém em vidas diferentes, sem imaginar tudo o que se passava na cabeça de seus pais, aquelas preocupações,  de empregos, e tudo mais o que se passa na vida dos adultos.” E passei a prestar atenção também nos pais, eles observavam os seus filhos brincarem, e imaginei “ o que será que eles pensam ao ver os seus filhos brincarem sem nenhuma preocupação, como se não existisse o mundo ao seu redor?” Acho que todos os pais ao verem os seus filhos pequeninos, ficam pensando em tudo o que podem fazer por eles, e em tudo o que eles podem se tornar no futuro, quem sabe os sacrifícios que um pai e uma mãe não faria por seus filhos”?


         Estava muito vidrado em meus pensamentos, quando ouvi um som de choro, que me fez sair dos meus devaneios. A princípio não sabia de onde vinha este som, quando me dei conta de que eles vinham do meu lado, me virei devagar, e percebi que uma jovem  havia se sentado ao meu lado. Ela era uma moça, bem vestida, com aparência muito bem bonita e bem cuidada, ela usava sapatos de grife, o que me fez pensar o que uma moça como aquela estava fazendo em um banquinho de praça, desacompanhada e chorando?!

         Não é muito de o meu feitio falar com estranhos,mas vou conversar com esta moça,

         - Olá moça, se não for muito atrevimento de minha parte, permita-me perguntar-lhe o seu nome?

         - Tudo bem, não poderá ficar pior do que já está! Eu me chamo Hadassa. E você?

         - Eu me chamo Ebert. O que uma moça como você faz sozinha chorando na praça?

         - Nada demais! Estou chorando e também não falo com estranhos mas como nem os meus supostos amigos vieram perguntar-me como eu me sinto, vou falar para você mesmo. O meu pai é um homem de muito dinheiro, mais ele vive com umas histórias de princípios e de que eu sou muito consumista e tenho que trabalhar, dar valor ao dinheiro e essas coisas. E até tirou o meu cartão, dizendo que eu tinha que aprender a valorizar. E eu acho que isso não tem nada a ver, porque se agente tem dinheiro, é para gastar.

         Naquele momento eu entendi que o assunto não se passava de uma menininha mimada,  que nunca tinha trabalhado ou lutado por alguma coisa, então contei uma parte da minha vidinha para ela.

         -Você reclama da sua vida, mais já parou para pensar que ela pode ser considerada perfeita, comparando com a vida de muitas pessoas que vivem por ai em situações pior do que a sua .Presta atenção.Quando eu era mais jovem morava em um lugar muito pobre, tinha que trabalhar para ajudar os meus pais, passava por muitas dificuldades, os meus pais trabalhavam muito para ganhar pouco, mal dava para sustentar a família. Dois irmãos meus morreram de desnutrição, e eu era o único que podia ajudar os meus pais, porque os outros três que sobraram eram pequenos demais para trabalharem! Todos dias, acordava cinco horas da manhã para trabalhar, depois ia para a escola, quando chegava eu ia trabalhar de cortar cana e nos finais de semana eu ia para a feira catar frutas. Desde pequeno eu tive que aprender a lutar para sobreviver, você tem tudo em suas mãos e ainda reclama? E o seus amigos, eles nem querem saber como você está, e você ainda os chamam de amigos? Você já parou para pensar em tudo o que o seu pai passou para ter tudo o que tem hoje?

         -É você tem razão. -falou com a tristeza marcante em sua voz, demonstrando que estava entendendo o que eu estava falando.

         -Comece a prestar atenção na sua volta e veja! Quantas pessoas estão ao seu redor e não tem nada e mesmo assim não reclamam, observe quantas crianças estão abandonadas nas ruas sofrendo e você ainda reclama? Agradeça a Deus por tudo o que você tem. Ela baixou o rosto nas mãos, e se dispôs a chorar, mostrando uma sensibilidade preza dentro de si, que ela estava querendo colocar para fora. Depois de um tempo chorando ela levantou-se, enxugou o rosto, se recompôs, colocou um meio sorriso e me agradeceu, me deu um abraço que demonstrava compreensão e agradecimento, por eu a ter ajudado a enxergar algo tão diferente da sua perspectiva.

         -Obrigada, Ebert, pelas palavras e por ter me mostrado algo que eu estava realmente precisando ver! Agora eu tenho alguém que eu preciso conversar, tchau, obrigada, mesmo por tudo!

         Fiquei olhando aquela moça, que se chamava Hadassa indo embora, andando devagar, mais com uma nova aparência no rosto,  aparência de quem tinha aprendido algo muito importante e valioso e fiquei a pensar: quantas pessoas estão por ai reclamando assim da sua vida, sem saber o que se passa no mundo a sua volta. Foi gratificante saber que de alguma maneira pude ajudar aquela jovem a perceber o quanto ela tinha tudo, quando pensava que não tinha nada, um sentimento de paz invadiu o meu coração, enchendo-me de gratidão. E mesmo um dia que estava nublado e um tanto sem cores passou a ficar um pouco mais claro e alegre.           Séfora Silva.

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